Onda de falências e recuperações judiciais deve ter novo recorde em 2026
O setor produtivo brasileiro deve enfrentar novos recordes de recuperação judicial e falência em 2026, mesmo com a expectativa de queda da taxa Selic. A combinação de juros reais ainda elevados, retração do crédito bancário e incerteza eleitoral cria um cenário de crise de liquidez para as empresas.
A Selic deve encerrar 2026 em 12,25%, segundo o último boletim Focus do Banco Central, mas o alívio será insuficiente para reverter o aperto financeiro.
O cerco financeiro que sufoca as empresas
Juros altos corroem o caixa e dificultam saída da recuperação judicial
O primeiro fator de pressão é o custo do dinheiro. Com a Selic em 15% ao ano, a mais alta em 19 anos, há uma maior pressão sobre o caixa das empresas. A taxa média de juros com recursos livres cobrada das empresas estava em 1,9% ao mês em outubro. No mesmo mês do ano passado, era de 1,62%, de acordo com o Banco Central.
não há perspectiva de alívio monetário substancial a curto prazo. A expectativa de redução da Selic para um dígito é remota: só a partir de 2028, de acordo com as expectativas do mercado financeiro levantadas no boletim Focus. É uma situação que deve acelerar os pedidos de recuperação judicial antes de qualquer mudança na política monetária.
Crédito bancário seca e eleições travam decisões
Ao custo elevado do dinheiro, soma-se outro problema: a escassez de crédito. O sistema bancário mantém postura defensiva após o "choque Americanas" — quando a varejista revelou inconsistências contábeis de R$ 20 bilhões em janeiro de 2023 —, enquanto a proximidade das eleições presidenciais trava decisões de crédito. O resultado é uma onda crescente de insolvências que ameaça transformar processos de recuperação judicial em falências definitivas.
Bancos e fundos de investimento seguem com cautela extrema. O prazo médio das concessões de crédito com recursos livres para empresas era de 25,2 dias em outubro, segundo o BC. É o pior resultado para esse mês desde 2020, durante a pandemia da Covid-19.
Segundo a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), a desaceleração nas concessões só não é maior porque seguem sustentadas por programas governamentais para as empresas e linhas voltadas ao consumo para as famílias – embora neste caso, com uma piora da qualidade da carteira, com maior participação de linhas rotativas.
Fonte: Gazeta do Povo
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